domingo, 16 de novembro de 2008

Narciso






















"Quando Narciso morreu, vieram as Oréiades – deusas do Bosque – e viram o lago transformado, de um lago de água doce, num cântaro de lágrimas salgadas.

- Porque choras? – Perguntaram as Oréiades.

- Choro por Narciso – disse o lago.

- Ah, não nos espanta que chores por Narciso. Afinal de contas, apesar de todas nós sempre corrermos atrás dele pelo bosque, tu eras o único que tinha a oportunidade de contemplar de perto sua beleza.

- Mas Narciso era belo? – Perguntou o lago.

- Quem mais do que tu poderia saber isso? – Responderam, surpresas, as Oréiades. - Por nós passou ele sempre, mas foi por ti que procurou e se deitou nas tuas margens e olhou para ti. E foi no espelho das tuas águas que refletiu a sua própria beleza...

O lago ficou algum tempo silencioso. Por fim, disse:

- Eu choro por Narciso, mas nunca tinha percebido que Narciso era belo. “Choro por Narciso, porque todas as vezes que ele se debruçava sobre as minhas margens eu podia ver, no fundo dos seus olhos, a minha própria beleza refletida...”

sexta-feira, 14 de novembro de 2008







Mal as regiões do oriente
A luz da manhã tingia,
Já ao cristalino espelho
A linda noiva sorria,
E a alva flor da laranjeira
Ao véu de neve prendia (...)

Júlio Dinis


























Teu corpo é tudo que brilha,
Teu corpo é tudo que cheira...
Rosa, flor de laranjeira...

Manuel Bandeira

Flor da ameixeira






















A ameixeira é o símbolo da esperança e da tolerância. O tronco retorcido inspira dureza e ainda assim carrega consigo a promessa da primavera, que se confirma com o aparecimento dos primeiros delicados brotos em janeiro.

























Noite tépida, perfume de ameixeiras,
daí a minha amada um sonho delicioso.
Fazei com que ela fique impaciente de rever-me e que,
de madrugada, venha bater à minha porta.
Perfume de ameixeiras, luar, noite tépida,
saberei pelos seus beijos se me ouvistes.
A Flauta de Jade

sábado, 1 de novembro de 2008