segunda-feira, 17 de setembro de 2012




Suspiram as rosas
e surpreendidas e assustadas
esconderam-se nos seus veludos.

Não eram borboletas!
Nem rouxinóis!
Não eram pavões que passavam pelo jardim.

De um céu ruidoso
caíam essas grandes asas luminosas e inquietas.
Relâmpagos azuis voavam entre os canteiros,
retalhando os lagos.

Tremiam veludos e sedas,
e o pólen delicado,
na noite violenta,
alta demais,
despedaçada,
despedaçante.

Ah, como era impossível
suster a forma das rosas!


Cecília Meireles



“Vivo para florescer outros jardins e sem perceber
o meu se abarrota de rosas e manacás
Vivo cada dia como se fosse cada dia.
Nem o último nem o primeiro - o único”.


Pablo Neruda



Tu, único sol, vem!
Sem Ti as flores murcham, vem!
Sem Ti o mundo não é senão pó e cinza.
Este banquete e esta alegria, sem Ti,
são totalmente vazios, vem! 


Rumi

   




Que flor é esta,
que perfuma assim
toda a floresta?


Carlos Seabra


E nem sequer
Era primavera.
E disseste que margarida
Era amarelo e branco
E eu disse que branco era paz.
E disseste que amarelo era desespero.
E dissemos quase juntos que margarida era então desespero,
cercado de paz por todos os lados.


Caio Fernando Abreu

domingo, 16 de setembro de 2012



É acreditando nas rosas
que as fazemos desabrochar.
Anatole France