quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Deve haver uma noite de primavera lá fora ...




 "De repente todo o espaço pára…,
Pára, escorrega, desembrulha-se…,
E num canto do teto,
muito mais longe do que ele está,
Abrem janelas secretas
E há ramos de violetas caindo
Deve haver uma noite de primavera lá fora ... "

 

Fernando Pessoa

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Se eu pudesse...



Se eu pudesse, faria chover flores na tua vida
Pelas manhãs eu choveria gérberas lilases
Nas tardes, eu choveria hortênsias de cor anil
E nas noites, cobriria o teu céu com as flores de abril

Se eu pudesse, trocaria tuas lágrimas, teu pranto
Por brisas de alegria, doçura e encanto
Se eu pudesse, clamaria ao sol que nunca deixasse de brilhar
Sobre a tua pupila, teus lírios, teus campos

Se eu pudesse, te ofertaria sons de flautas ao luar
Daria asas aos teus sonhos mais doces
Enfeitaria tua estrada com estrelas douradas
E te presentearia com o infinito do mar.


Arnalda Rabelo

Gérberas



um dia nos chegamos
assustados, hesitantes
dançamos todas as valsas
afora , o tempo e as lembranças

Sem dizer, e sem fazer
casávamos em pensamento
bilhete de amor guardado
soneto de amor molhado
nas plumas do travesseiro

um dia a carta era verso
e o anverso foi distante
perdeu-se numa estrada
incendiou-se num canto

estrada de muitas curvas
com montes e matagais
cresceram heras e ervas
cresceram dores,quimeras
e no enlevo do amor
duas gérberas floresceram

outro dia
uma luz nos salvou
era tarde
era dia, e
tudo se renovou.


Socorro Moreira

Novembro é o mês das gérberas





 

É na primavera que as gérberas (Gerbera jamesonii) florescem. 
Pertencentes à família Asteraceae, originária do Sul da África e Ásia.
A planta atinge até 40 cm de altura e propaga-se por meio de sementes ou divisão de touceiras. O plantio deve ser feito em solo arenoso, com boa drenagem (mistura recomendada: uma parte de terra comum de jardim, uma parte de terra vegetal e duas partes de areia).
 Gosta de sol pleno e pode ser regada duas vezes por semana, de preferência apenas nos períodos secos, evitando o encharcamento do solo.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012




E eu me lembrarei de você
com tanta doçura
que adoçarei todos os meus dias
E eu pronunciarei teu nome com
tanta ternura, que o meu coração
de rosas transbordará
Colherei essas rosas
Inundar-me-ei desse perfume
E devolverei a ti todas as manhãs.

Arnalda Rabelo

Clítia




Clítia era uma ninfa da água, apaixonada por Apolo, que não lhe correspondia, o que a fez definhar. Deixava-se ficar durante todo o dia sentada no frio chão, com as tranças desatadas caídas sobre os ombros. Durante nove dias assim ficou, sem comer nem beber, alimentando-se apenas com as próprias lágrimas e com o gélido orvalho. Contemplava o sol, desde que ele se erguia no nascente, até se esconder no poente, depois do seu curso diário; não via outra coisa, seu rosto voltava-se constantemente para ele. Afinal, conta-se, seus pés enraizaram-se no chão, seu rosto transformou-se numa flor, o Girassol, que se move constantemente em seu caule, de maneira a estar sempre voltada para o sol em seu curso diário, conservando, assim, o sentimento da ninfa que lhe deu origem.